Big Breasted Blonde Amateurs
«Cada ratinha tem o seu mistério e desvendar uma não quer dizer que percebemos o mistério total», Puchkine, Diário Secreto
Sexta-feira, 17 de Julho de 2009
Livro da Semana

Tendo em conta o facto de que já não escrevia esta rubrica há algum tempo (l'étude oblie), acho que um dia de atraso não fará particular mal.
Entre a esplanada que encara a Biblioteca da Faculdade de Letras, o 222 e a minha cozinha despachei o mais recente livro de Agualusa.
Se os anteriores tiveram direito a tremendo destaque neste mesmo blogue este último não falhará a linhagem.
Que dizer mais?
Que me confesso apaixonado pela sua escrita? Pela forma como as ideias vão sendo apresentadas ao leitor? A forma como domina a linguagem, rivalizando com o controlo de bola do Messi?
Neste Barroco Tropical tenho ainda que destacar o fascínio que o tema me desperta.
Angola. Não a Angola mítica do tempo colonial, mas a Angola da pós-euforia derivada do crescimento económico desmesurado, onde as pessoas e prédios reflectem um mundo decadente e fragmentado.
A variação depersonagens é disso mesmo espelho.
Mas gostei. Muito.
Será o meu preferido?
Tenho dúvidas, mas que gostei, que me deleitei, que passei maravilhosos momentos com ele na mão (será que isto soa bem?).
E assim espero que todos os leitores deste blogue o façam.
9/10

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O senhor que se segue

É oficial que não aguento muito tempo longe dele

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First Flush, sff
O meu consumo de chá encontrou finalmente uma razão de ser:
graças a uma singela indicação, desloquei-me algo desconfiadamente a uma loja de chás. É boa, asseguraram-me.
Embora já tivesse tido um primeiro contacto indirecto através do consumo (deleitoso, de resto) de um pu-erh exótico, nada como ir, ver, sentir, escolher e ansiar por um regresso caseiro para aumentar o consumo.
Sei que esta estória, para ter algum interesse, deveria estar recheada de pequenas peculariedades que a tornariam em algo único, cheio de pura adrenalina, capaz de mudar a nossa vida de forma súbita e atroz, mas não.
Lamento.
O aumento considerável de prazer gustativo na minha vida conduziu-me a este estado de sem graça e quase (aparente) paz.

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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Pequenos relatos de regresso
A fim de encarnar definitivamente esta minha nova dimensão humana de viver no Portugal Profundo, como tão carinhosamente foi apelidada a terra que me alberga há coisa de 4 anos, resolvi começar a cometer actos ilegais como ir comprar fruta à beira da estrada (a penúria em que uma casa abandonada durante 10 dias se encontrava obrigou-me a tamanha infracção da conduta civil).
Pois estava eu entre as melancias, qual García Lorca em Ginsberg, quando se dá uma paragem brusca por entre a terra batida. Elogio mentalmente a bravura dos condutores porutgueses e deparo-me com uma magnífica cena em que o dono (caso não fosse roubada) da viatura ameaça o senhor da tabanca com um melão podre pela cabeça.
Aprecio a cena, sorrio e escolho uma melancia de boa tonalidade, cheiro e textura.
Pago e sigo a minha vida perante a indignação dos transeuntes (sim, no alentejo há transeuntes em todo o lado).
Contente com esta demonstração de bela humanidade, regresso ao meu lar satisfeito e regalado.

Já hoje, estava eu na minha tarefa de contador de jardim (fotos surgirão em breve no blog da biblioteca) quando fui abordado (para não dizer atacado) por uma das receitas que mais ansiava: a pasta de caril. De logo a partilhei (que mal soa esta frase, mas sou assim mesmo trapalhão) com a minha moleskine e encontro-me presentemente em plena actividade de regozijo perante tamanha degustação, já devidamente adulterada.
A todos os que me invejarem, terão que comparecer em minha casa munidos de uma caixa do branco da Comporta 2008 já devidamente resfrecada.
O meu muito obrigado.

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Terça-feira, 14 de Julho de 2009
Soubera eu escrever e faria algo assim
Noche tras noche me resistía a mirar en dirección a la ventana. Nunca apagaba la luz, y detrás de aquel vidrio la oscuridad exterior era un telón negro. Cerraba los párpados e intentaba dormir, y en tanto no llegaba el sueño yo rezaba. Le suplicaba a Dios no estar despierto cuando llegara el momento. ¡Cómo me costaba sustraerme a la vigilia y encontrar refugio en la inconsciencia del sueño más profundo! Muchas noches de invierno sentía por allá afuera, girando alrededor de la casa, la queja del viento. En ocasiones me daba por imaginar que el viento penaba por su propio desamparo, por no serle permitida la entrada a los hogares. Daba por seguro que de noche, cualquier ser, objeto o elemento que estuviese a la intemperie debía de vivir atormentado: de noche el mundo externo era un terrible abismo. En cambio, ¡era tan cálido mi cuarto! En las paredes, de color azul celeste, mamá había pintado conejitos, jirafas y elefantes. El cielo raso también era de color azul, aunque era un azul más luminoso. Paseaba mis ojos por aquellas superficies amables y me empeñaba en apartarlos de la negrura de la ventana desprovista de cortinas. Me abrazaba a mi osito tibio peludo y gordinflón, y entonces él y yo nos sumergíamos en el amigable mundo que hay debajo de las mantas, pero al cabo de un tiempo sacaba la cabeza y no podía evitar que mis ojos se fijaran en la ventana; entonces veía ese rostro que cada noche asomaba desde un ángulo y se ponía a espiar. Era una visión fugaz, pues el mirón, al sentirse descubierto, rápidamente volvía a esconderse entre las sombras del abismo. Sin embargo, aun cuando no alcanzaba a descubrir su identidad, no podía dejar de ver el brillo ansioso de sus ojos acechantes. Algunas veces también creí ver su brazo, y su puño sosteniendo el relámpago de una hoja de metal. Las primeras noches grité y reclamé la presencia de mi madre, pero dejé de hacerlo al cabo de muchas reprimendas. Ella amenazó con apagar la luz si insistía en inventar historias; eso fue lo que dijo. Si alguna vez hubo algo o alguien allí afuera yo lo esperé en vano, pues pasaron los años y nunca vino a por mí. Terminé convenciéndome de que lo que había creído ver no existía fuera de mi imaginación. Después me hice adulto y enfilé por los carriles trazados para nuestra especie: me casé y tuve un hijo. Mi hijo también empezó a ver cada noche el rostro del espía tras los cristales de su ventana. Cierto atardecer salí de casa y quedé a la espera. El puñal que llevaba conmigo daría cuenta de cualquiera que se dedicara a asustar a mi niño. Pasaron las horas y al final me asomé a la ventana del cuarto iluminado. Era enternecedor ver a mi hijo abrazado a su osito de peluche. De pronto sus ojos se encontraron con los míos, y antes de que pudiera esconderme, en los suyos alcancé a descubrir el terror.
Lázaro Covadlo

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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Faz tempo que não me ria assim...



ou tenho a sensação de que isto já quase me aconteceu em Lisboa

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Sábado, 11 de Julho de 2009
Back
Eis que ao fim de 10 dias Lisboetas repartidos entre a Rua das Picoas, o 222 e a FCSH, retorno agora ao Alentejo numa clara tentativa de fazer o desmame de junk food.
Há boas perspectivas de o conseguir fazer ainda a tempo de voltar a ser uma pessoa normal.
A todos os que sofreram com a alteração do meu estado, aqui fica o meu sentido agradecimento pela paciência i tot més.
Sobretudo a esta senhora

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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
Rever amigos da adolescência tem disto...
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
É uma para aqui, se faz favor
A blogoesfera poderá ter ficado estranhamente mais rica ontem à noite...
Qualquer influência minha neste súbito enriquecer ter-se-à devido aos simpáticos senhores que resolveram lavar a rua das Picoas em geral e o carro de um deles em particular e à consequente insónia que me provocaram.
Se os virem por aí, não hesitem em espetar-lhes um valente murro nariz dentro, tal como se fossem eu.
Obrigado.

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