Big Breasted Blonde Amateurs
«Cada ratinha tem o seu mistério e desvendar uma não quer dizer que percebemos o mistério total», Puchkine, Diário Secreto
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
E há dias mais camonianos que outros
Além disso, o que a tudo, enfim, me obriga
É não poder mentir no que disser,
Porque de feitos tais, por mais que diga,
Mais me há-de ficar inda por dizer

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Como não gostar de Eça?
Manhãs há em que os nossos sentidos são invadidos de forma verdadeiramente napoleónica.
Pois o senhor Eça foi o grande culpado desse acontecimento devastador ensta minha manhã ao discursar de forma alegre sobre a poesia de amor, chegando até ao excerto que se segue.
A única questão que consigo levantar é mesmo: Como é possível não gostar de Eça?


"E há ainda uma intolerável impertinência da parte do sr. fulano em nos deter no nosso caminho apressado para nos gritar, entre suspiros, que ela é formosa e que os seus beijos sabem a mel. É formosa? Sabe a mel? Bom proveito para si, estimável senhor"

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Paulo Mendes Campos ou a descoberta de mais alguém
Há pessoas chatas.
Há pessoas que têm ideias infelizes e não hesitam em partilhá-las com o resto da humanidade (lembro-me vagamente de alguns ditadores).
Há pessoas que não me deixam dormir.
Há pessoas que me acordam. Me despertam a meio do dia fazendo-me deixar fugir os meus pensamentos.
Mas também há aquelas que nos invadem o íntimo citando escritores como as testemunhas de Jeová citam a bíblia.
Pois no outro dia apanharam-me de faca na mão a desfazer um frango para logo o rechear com mel e pimenta quando me leram isto.
Caramba, pensei. Há que ter coragem.
Obrigado Jairo!

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Cuentame un cuento, y verás que contento
Como sabe bem a seguir ao almoço...


Una anciana barría su casita, se encontró un centimito y se fue al bar a tomarse una cerveza.

-¿Adónde vas, abuela, con un centimito? Con eso no te doy ni los buenos días –le dijo el camarero.
-¡Válgame el señor!

Entró en un supermercado y cogió una tableta de chocolate blanco. Ella leyó “blando” y lo eligió porque tenía los dientes como la vista.
-¿Adónde vas, abuela, con un centimito? Con eso no te alcanza ni para los buenos días –le dijo la cajera.
-¡Válgame el señor!

Pasó por la puerta del cine y quiso entrar.
-¿Adónde va usted, abuela? ¡Circule, circule!
-¡Válgame el señor! –dijo la abuela-. Ni los buenos días...

-Buenos días –dijo la voz de un señor que se quitaba el sombrero.
En el sombrero echó la anciana el céntimo
-No es menester –dijo el anciano y se lo devolvió poniendo en la mano de ella su mano cálida-. ¿Quiere usted venir conmigo? –continuó.
-No, prefiero acompañarle -respondió ella. Y los ancianos y el centimito terminaron en un parque que tenía una fuente con dos patos y de espaldas lo lanzaron deseando estar juntos para siempre y lo lograron porque, aunque era solo un centimito, la vida que les quedaba era poca y les alcanzó.

Pablo Albo

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
O senhor que se segue
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Paris Review
Depois de ter restaurado parcialmente a minha fé na literatura através da leitura deliciada das entrevistas da Paris Review recentemente publicada pela Tinta da China, eis que me deparo com duas linhas claras de entrevistas a escritores neste país:
um seguidor absoluto e provavelmente o melhor intérprete dessa escola neste país à beira-chuva plantado que é o organizador da colectânea, Carlos Vaz Marques, de quem sou fã absoluto sentindo sempre uma leve pinga de inveja a cada entrevista que faz e por outro lado, a Alexandra Lucas Coelho que, tendo consciência da existência destas entrevistas e reconhecendo a sua mediocridade, resolve dar toques de brilhantismo intelectual e demonstrar que está acima do entrevistado.
Pena haver pessoas como o Lobo Antunes que demonstra claramente que está acima de qualquer outro ser humano nascido em Portugal (exceptuando o Pulido Valente) ou o Chico Buarque que demonstra que o facto de ter uma vista fabulosa sobre a baía do Rio e ser um dos mais chgarmosos intelectuais brasileiros consegue ser simples e puro, distribuindo chapadas de luva branca como quem distribui chocolates no Natal.
Seja como for, espero fazer uma crítica mais acérrima dentro de dois dias neste mesmo espaço.
Boas festas e até já!

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
O senhor que se segue
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Onde estarei presente?
Não consigo deixar de esboçar um sorriso meio maldoso face à publicidade "Natal em Família" da Presença. Há livros para a mãe, o pai, os avós (uma pessoa perde identidade sexual com o avançar da idade), os mais pequenos e para toda a família. Então e eu? Onde me encaixo?
Ou não lerei nada da Presença neste Natal ( o que até é algo vagamente provável)ou terei mesmo que me render aos inúmeros encantos do Kindle e das entrevistas da Paris Review, recentemente editadas pela Tinta da China.

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Não leiam Bolaño pela manhã
Há coisas verdadeiramente estranhas e assustadoras.
O facto de saber o Roberto Bolaño morto e ter-me comunicado esta frase: " El subprocurador parecía muy viernes casi llegando a sábado" enquanto deambulava de forma sonâmbula em busca de um redentor e salvador café (na falta de chás de qualidade nas pastelarias da vila ), foi, no mínimo, assustador.
Senti um arrepio (terá sido do frio que se faz sentir?) e entrei a cambalear (quem me manda andar em jejum?) numa pastelaria onde se discutia o tenebroso terramoto de ontem.
Imaginassem aquelas senhoras o que estava a sentir e não hesitariam em declarar catástrofe de nível internacional. Um abalo de 9 ponto qualquer coisa na escla de Richter.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Literas...
Não consigo deixar de ficar espantado com o facto de Caetano Veloso ter feito uma referência indirecta a Byron na entrevista de hoje na Y e a Alexandra Lucas Coelho não tenha reparado e feito uma longa dissertação sobre o quão bem ela leu Byron e a sua importância em Portugal e como foi espancado à porta do Dona Maria, etc, etc...
Como português e assíduo leitor da Y, sinto-me no dever moral de exortar todos os meus compatriotas a escreverem uma leve reclamação sobre esta tremenda falha.
Afinal, estamos a falar de alguém que quase ousou enfrentar o Lobo Antunes de frente

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Preces matinais
Despertar com a sensação de que o Padre António Vieira era genial não é algo novo em mim.
Mas acordar com o devir de o provar a um grupo de um curso profissional que há muito se desinteressaram pela escola, já é algo completamente diferente.
Pois neste dia chuvoso só espero conseguir sentir um pouco da chama divina e aquecer aquelas almas e converter futuros agricultores em cultivadores da flama vitae do PAV.

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domingo, 29 de novembro de 2009
Jogos de Sedução
Antes de mais nada, vou pedir ao atento leitor que se foque qb na belíssima capa que lhe proponho.
Já está?
Olhe novamente, certificando-se que não deixou passar nenhum pormenor.
Pois bem, passarei a reproduzir de forma fidedigna uma conversa escutada recentemente e que comprova a qualidade e confiança que podemos depositar nas pessoas que trabalham em sítios onde o amor e paixão pelos livros atinge proporções inimagináveis.
A fim de manter a minha qualquer coisa, inventei nomes falsos, faltando ainda esclarecer que se trata de uma relação laboral hierárquica:

Brunilde: Oh, Clarice, veja aqui! Este livro deve ser demais.
Olhar de leve desprezo até bastante compreensível
Brunilde: Parece que este é que é de arrasar! Agora é que é! Temos que o comprar, que eu quero lê-lo!
Novo olhar, quase fingindo genuíno interesse.
Clarice: Pois... Pode ser que agora, quando formos às compras. Põe na lista de pedidos...
Brunilde: Já lá estava! - exclama, denotando uma certa e genuína revolta para com o facto de tamanho êxito literário não ter ainda sido adquirido.

E assim se decidem parte dos títulos comprados pelas nossas instituições.
Peço que olhem de novo com atenção para a capa e que se sintam seduzidos pelo verdadeiro poder de sedução do livro.

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O senhor que se segue...


Mais do que estar a reagir à tremenda pressão de revistas, blogues e amigos para ler a genial obra prima, este será, possivelmente, um momento que não esquecerei.
2666 será o primeiro livro que irei ler no Kindle (de facto já o comecei a fazer ontem, na esperança de que isso conseguisse ajudar o Benfica a suplantar a defesa de 3 centrais montada pelo Carvalhal).
Em breve darei detalhadas e ostensivas descrições de tamanha experiência

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terça-feira, 24 de novembro de 2009
O senhor que se segue...
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
O senhor que se segue
terça-feira, 10 de novembro de 2009
O senhor que se segue
E nunca é tarde para se ler Eça...

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
E houve um génio chamado Eça
Na sua cela havia uma imagem da Virgem coroada de estrelas, pousada sobre a esfera, com o olhar errante pela luz imortal, calcando aos pés a serpente. Amaro voltava-se para ela como um refúgio, rezava-lhe a salve-rainha: mas, ficando a contemplar a litografia, esquecia a santidade da Virgem, via apenas diante de si uma linda moça loura; amava-a; suspirava, despindo-se, olhava-a de revés lubricamente; e mesmo a sua curiosidade ousava erguer as pregas castas da túnica azul da imagem e supor formas, redondezas, uma carne branca... Julgava então ver os olhos do Tentador luzir na escuridão do quarto; aspergia a cama de água benta; mas não se atrevia a revelar estes delírios, no confessionário, ao domingo.

In O Crime do Padre Amaro

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Leituras a cima do Douro (ou é tão bom estar de férias)

9/10


6/10


8/10

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Da vida
Nada como começar a ler Chico Buarque na véspera de uma das mais importantes efemérides laborais e achar que ele se encontrou com Philip Roth (ou só com os seus livros pois se há sítio onde não imagino tal autor é no Rio. Já o Chico em Nova Iorque... ).
Mas o que me soube realmente bem foi o facto de ter desenterrado da memória uns ténis da nike meio esquecidos desde que os comprei.
Depois de os ter reabilitado, eis que, qual epifania, me deparo com um episódio do House em que o médico tem uns iguais.
Anda um gajo a recriar imagens pessoais para depois virem logo argumentistas norte-americanos, coagidos pelos grandes grupos económicos, roubarem as ideias.
Por estas e por outras é que as pessoas se põem a ler Philip Roth antes dos 30 ou em países tropicais como o Brasil.

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